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Quando unimos saberes tradicionais de mulheres latino-americanas ocupando espaço da internet, adentramos numa discussão complexa, que une historicamente contextos de feminicídios, epistemicídios e opressões. Mulheres que assumem sua atuação dentro da perspectiva dos saberes/ fazeres tradicionais, populares e/ou ancestrais, enfrentam discriminações, além de ocupar papéis centrais em suas comunidades. Elas participam da rede de cuidados, geração de renda, preservação da biodiversidade, articulação de movimentos sociais e etc. Seguem sendo perseguidas pela igreja, classes dominantes e diversos setores poderosíssimos da ciência, que nega outras verdades e formas de atuação. Deste modo, a caça as bruxas se reatualiza no cotidiano, principalmente em comunidades rurais, nas quais abuellas, mestras tradicionais e jovens aprendizes enfrentam inimigos.

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Nós somos a primeira plataforma digital colaborativa e aberta que, por meio do automapeo dos saberes e fazeres das mulheres, reúne acervo audiovisual para intercâmbio e fortalecimento das estratégias protagonizadas por mulheres em nossos territórios - promovemos o fortalecimento do desenvolvimento comunitário desde as mulheres.

Comadre é uma Rede de Base Comunitária, que vive e trabalha em comunidades de modo itinerante. Através do trabalho da Rede, as histórias, as alternativas, as resistências, as redes de mulheres e saberes, foram se conectando, participando na formação de laços e intercâmbios de saberes e na transformação comunitária colaborativa. Tanto na internet quando em nossas comunidades trabalhamos pela justiça de gênero e a cada dia buscamos construir estratégia físicas e digitais para o trabalho colaborativo em rede.

A conexão de práticas desde as mulheres é possível pela itinerância e pela ação cotidiana no território. Isso foi tecendo essa rede, que tem base na experiência e traz consigo muita força, unindo mulheres de toda latinoamerica, que estão tecendo a história de “gente pequena fazendo coisas pequenas, que esta mudando o mundo”.  A luta tecida em Rede conecta as práticas antes invisíveis, a um pensar que vem se tornando global, que nos trás uma nova dimensão do que é a latinoamerica, do que é o colonialismo, de quem somos nós mulheres, qual é nossa história, onde nossos caminhos se encontram. Então a ação de construir pontes entre práticas e histórias de mulheres é algo que ganha importância. Por meio da Rede, é possível acessar a criatividade das mulheres, que vivem a tirania da falta de estrutura, que sonham uma rede, que sonhamos um mundo justo e recíproco. Com a rede, nós mesmas podemos protagonizar esse processo, o que não era possível até então.

Nosso trabalho de automapeio da experiência de mulheres já percorreu 207 comunidades cubanas, 40 brasileiras, 10 colombianas, 10 mexicanas, trabalho este que resultou na própria plataforma digitais, em um livro de autohistorias,em 3 documentários e um prêmio ibercultural sobre mulheres, saberes e comunidades, atingindo cerca de 8.000 mulheres em 84 ações nos últimos 12 meses.

Nos territórios a gente vivencia as práticas populares, tradicionais e ancestrais, realiza processos grupais/comunitários horizontais e autogestionados utilizando metodologias colaborativas; utiliza o automapeo comunitário (quem “somos” as mulheres de referência); sistematiza por meio da autohistória as memórias e intercambia pela plataforma e em outras ações como cinedebates, intervenções artísticas, zines, autoformações, rodas de conversa, vivências, laboratórios comunitários e etc.

Entre nossa missão está a disputa do ciberespaço. Queremos pautar a internet a partir de critérios que também nos representem. Hoje a internet reproduz o machismo que encontramos em nossas comunidades e por conta dele, nossas experiências são esquecidas e nossas histórias são apagadas. Para isso, enfrentamos triplas batalhas: contra um sistema que automaticamente afasta as mulheres dos conhecimentos tecnológicos, contra a violência na internet que em 95% dos casos é direcionada a mulheres (ONU) e pela invisibilidade estrutural do sistema cibernético a partir da programação de algoritmos limitantes que privilegiam estereótipos da cultura machista.  

A página entrou no ar no final de outubro de 2016, com mais de 100 vídeos já aportados de todos os países da iberoamérica, por meio de chamada pública aberta (seguimos recebendo vídeos). Na rede já foram automapeados saberes de mulheres de todos os 23 países da iberoamérica e ela já foi acessada por 46 países de 5 continentes demonstrando a relevância do tema.

Por que Comadre?

Na latinoamérica, “comadre” é existência de um forte vínculo de responsabilidade e amizade entre mulheres, para coproteção mútua. A força dessa relação, tão presente e compreensível nas comunidades latinoamericas, inspirou a concepção da rede virtual com este nome. Mais que um acervo, Comadre evidencia a presença da mulher na internet desde nós mesmas e transpassa estereótipos quando visibiliza qualquer tema e narrativas que consideramos relevante, seja no campo da memória, historicidade, ancestralidade, agroecologia, lutas e movimentos sociais e culturais. Uma ferramenta que se une ao crescente movimento para fortalecer culturas e intercambiar saberes entre mulheres, vencendo silenciamentos, violências e invisibilidades impostas.